domingo, 29 de maio de 2011
sábado, 28 de maio de 2011
“Dois séculos de conquistas estão a ser deitados no lixo", diz Galeano | Esquerda
“Dois séculos de conquistas estão a ser deitados no lixo", diz Galeano
Em entrevista à Televisão da Catalunha, escritor uruguaio fala sobre as mobilizações que levaram milhares de jovens para as ruas de diversas cidades espanholas nos últimos dias.
Galeano: "Os dois homens mais justos da história da humanidade, Sócrates e Jesus, morreram condenados pela Justiça." "Este é um dos dramas do nosso tempo. Dois séculos de lutas operárias que conquistaram direitos muito importantes para a classe trabalhadora estão a ser deitados para o caixote do lixo por governos que obedecem a uma tecnocracia que se julga eleita pelos deuses para governar o mundo. É uma espécie de governo dos governos, como este senhor que agora parece que se dedica a violar camareiras, mas antes violava países e era aplaudido por isso".
A entrevista foi dada ao programa "Singulars", da Televisão da Catalunha (TV3). Galeano esteve em Madri e pode presenciar ao vivo as mobilizações na Porta do Sol. Disponibilizamos abaixo a entrevista concedida ao jornalista Jaume Barberà e destacamos alguns trechos:
"Há hoje em quase toda a América Latina um problema visível e preocupante que é o divórcio entre os jovens, as novas gerações, e o sistema político, o sistema de partidos vigente. Eu não reduziria a política à actividade dos partidos, porque ela vai muito mais além, mas isso é preocupante mesmo assim".
"Nas últimas eleições chilenas, por exemplo, 2 milhões de jovens não votaram. E não votaram porque não se deram ao trabalho de fazer o recenseamento eleitoral. Suponho que a maioria não se recenseou porque não acredita nisso. E parece-me que isso não é culpa dos jovens. Neste sentido, gostei muito de ter presenciado essas manifestações que tive oportunidade de ver na Porta do Sol".
"Um dos lemas que ouvi era 'com causa e sem casa', o que é muito revelador da situação actual. Muitos daqueles jovens ficaram sem casa e sem trabalho. Isso deve ser levado em conta. Este é um dos dramas do nosso tempo. Dois séculos de lutas operárias que conquistaram direitos muito importantes para a classe trabalhadora, estão a ser deitados no caixote do lixo por governos que obedecem a uma tecnocracia que se julga eleita pelos deuses para governar o mundo".
"É uma espécie de governo dos governos, como este senhor que agora parece que se dedica a violar camareiras, mas antes violava países e era aplaudido por isso. É essa estrutura de poder, muitas vezes invisível, que de facto manda. Por isso, quando se consegue aglutinar vozes capazes de dizer 'basta', a primeira coisa a fazer é ouvi-las com respeito, sem desqualificá-las de antemão e saber esperar. Esses jovens não parecem esperar ordens de ninguém. Agem espontaneamente, aliando razão à emoção. Como vai acabar isso? Não sei. Talvez acabe logo, talvez não. Vamos ver".
"O mundo está preso num sistema de valores que coloca o êxito acima de todas as virtudes. Ele é uma fonte de virtudes. Em troca, condena o fracasso. Perder é o único pecado para o qual, no mundo de hoje, não há redenção. Estamos condenados a ganhar ou ganhar. Os dois homens mais justos da história da humanidade, Sócrates e Jesus, morreram condenados pela Justiça. Os mais justos foram condenados pela Justiça. E deixaram-nos coisas muito importantes como amor e coragem".
Imagens de satélite ajudam a encontrar 17 pirâmides no Egito
Policial egípcio monta guarda em frente a pirâmide no sítio arqueológico de Saqqara; veja galeria de fotos
Parcak se diz impressionada com o quanto sua equipe encontrou. "Fizemos pesquisas intensas por mais de um ano. Eu podia ver os dados conforme eles iam aparecendo, mas para mim o momento-chave foi quando dei um passo para trás e olhei tudo o que havíamos encontrado. Não podia acreditar que pudéssemos localizar tantos locais no Egito", disse.
A equipe analisou imagens de satélites que viajam a uma órbita a 700 quilômetros da Terra, equipados com câmeras tão potentes que poderiam identificar objetos com menos de um metro de diâmetro sobre a superfície da Terra.
As descobertas são tema do documentário da BBC Egypt's Lost Cities (As cidades perdidas do Egito) que vai ao ar na Grã-Bretanha na próxima segunda-feira.
ESCAVAÇÕES DE TESTE
As imagens com raios infravermelhos foram usadas para destacar materiais diferentes debaixo da superfície.
Os egípcios antigos construíram suas casas e estruturas com tijolos de barro, que são mais densos que o solo em seu entorno, tornando possível a identificação de casas, templos e tumbas.
"Isso nos mostra como é fácil subestimar tanto o tamanho como a escala dos assentamentos humanos antigos", diz Parcak.
Para ela, ainda há muito mais a ser descoberto. "Esses são somente os locais próximos à superfície. Há muitos milhares de locais adicionais que foram cobertos com lama trazida pelo rio Nilo. Esse é só o começo desse tipo de trabalho", diz.
As câmeras da BBC acompanharam Parcak em sua "nervosa" viagem ao Egito para acompanhar as escavações de teste para verificar se sua técnica podia realmente identificar construções debaixo da superfície.
Ela visitou uma área no sítio arqueológico de Saqqara, a cerca de 30 quilômetros do Cairo, onde as autoridades locais não pareciam inicialmente interessadas em suas pesquisas.
Mas após serem informados pela arqueóloga que ela havia visto duas pirâmides em potencial, eles realizaram escavações de teste e agora acreditam que é um dos sítios arqueológicos mais importantes do Egito.
Parcak disse que "o momento mais excitante foi visitar as escavações em Tanis".
"Eles haviam escavado uma casa de 3.000 anos que as imagens dos satélites haviam mostrado, e o desenho da estrutura casa quase perfeitamente com as imagens do satélite. Isso foi uma comprovação de nossa técnica", afirma.
Entre outras coisas, as autoridades egípcias planejam usar a tecnologia para ajudar a proteger as antiguidades do país no futuro.
Durante os recentes protestos populares que derrubaram o regime do presidente Hosni Mubarak, houve casos de saques em sítios arqueológicos conhecidos.
"Podemos dizer pelas imagens que uma tumba de um período particular foi saqueada e podemos alertar a Interpol para prestar atenção nas antiguidades daquele período e que podem ser oferecidas para venda", diz.
Ela também espera que a nova tecnologia ajude a interessar pessoas jovens na ciência e que possa ser uma ferramenta importante para os arqueólogos no futuro.
"Isso vai permitir que sejamos mais focados e seletivos no nosso trabalho. Diante de um sítio enorme, você normalmente não sabe por onde começar", observa.
BBC BRASIL / Folha de S.Paulo
sexta-feira, 27 de maio de 2011
sábado, 21 de maio de 2011
O Senhor Morgado - Adriano Correia de Oliveira
O SENHOR MORGADO
O senhor morgado
Vai no seu murzelo,
Todo empertigado.
É um gosto vê-lo,
Próspero anafado,
Véstia alentejana,
Calça de riscado:
Homem duma cana!
Vai, todo se ufana
De ir tão bem montado
E ela na janela...
Seja Deus louvado!
O senhor morgado
Vai nas próprias pernas,
Todo bambeado;
Tem palavras ternas
Para cada lado.
Quando passa, sente
Que é temido e amado;
Fala a toda a gente,
Topa um influente:
“Sou um seu criado...”
Eleições á porta,
Seja Deus louvado!
O senhor morgado
Vai na sege rica
Todo repimpado:
Ai que bem lhe fica
O chapéu armado,
E a comenda ao peito,
E o espadim ao lado!
Que homem tão perfeito!
Deputado eleito,
Muito bem votado,
Vai para o Te-Deum,
Seja Deus louvado!
Poema de Macedo Papança, Conde de Monsaraz
sexta-feira, 20 de maio de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
Porque não voto em ti José
Tu podes dizer que te perseguiram, que te fizeram a cama, que te
tramaram, que as tuas intenções eram as melhores e que querias evitar
a todo o custo a ajuda externa. Tudo isso até pode ser verdade, mas
olha que me fazes lembrar o Vale e Azevedo.
Tens de me explicar como conseguiste tornar o PS no "teu partido".
Assim é que é: 93% de apoio! Tu és o líder, tu és o chefe, tu és o
comandante, tu és o pai, o filho, o espírito santo. O partido és tu e
é teu.
Zé, assim não vamos lá. Que consigas enganar os "crentes" é uma coisa,
agora querer enganar outra vez a gente, é outra.
Oh Zé. Tu lixaste a gente, deixaste-nos na merda, pá. Vai pró caraças,
mas estás a querer fazer-nos de estúpidos.
Será que não tens vergonha, será que não tens um pingo de humildade
para que caias em ti e reconheças os teus pecados e os teus erros?
Repara só:
- 600 000 desempregados;
- Bancarrota;
- Facturas elevadíssimas a vencer nos próximos anos;
- Uma imagem péssima do país no estrangeiro:
- Caloteiros, calaceiros, vigaristas, trapaceiros, corruptos,
mentirosos, malandros, estúpidos, teimosos, etc.
- As reformas todas por fazer, as nossas empresas, bancos e
empresários mal vistos e mal cotados.
- Uma divida pública astronómica;
- A nossa indústria desamparada;
e etc, etc....
Tu que tiveste uma maioria, que tiveste as condições que poucos
tiveram, lembra-te que quando te elegemos, em 2005, nós estávamos
fartos de Durões, Santanas, de sermos desgovernados e tu, sim TU,
puseste-nos na miséria pá.
Oh Zé, deixa-me que te explique isto a ver se entra na tua cabeça.
TU JÁ NÃO SERVES PARA REPRESENTAR OS NOSSOS INTERESSES.
TU ESTÁS AVARIADO, ESTRAGADO, QUEIMADO.
A tua teimosia, a tua estupidez, a tua soberba demonstrou um gajo que
não sabe negociar, que não sabe gerir, que não sabe o que é um país,
que não sabe o que é ser-se íntegro e o que é servir.
O que tu tens é um grande PATUÁ. Só que não chegou para os mercados.
O que pensariam de nós se voltasses a ser parte do problema, tu que
FOSTE, E ÉS O PROBLEMA?
Uma coisa te garanto:
EM TI NÃO VOTO !
Este é um dos Desígnio Nacional: pôr-te na prateleira, na galeria dos
notáveis que nos enganaram. E nenhum nos enganou tanto como tu.
Olha Zé, não estou nada porreiro, pá.
E quero que vás PRÓ BORDALO.
Recebido por e-mail
Recebido por e-mail
domingo, 15 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
Gagarine, 50 anos depois
Para lá dos feitos associados à conquista do espaço, da investigação associada aos voos espaciais tripulados resultaram tecnologias que melhoraram a vida do cidadão comum cá em baixo na Terra.
Por Rui Curado Silva
Yuri Gagarine A 12 de Abril de 1961, de seu nome de código “Cedro”, um jovem russo de 27 anos e 1,59m, Yuri Gagarine, é lançado num míssil intercontinental a bordo da cápsula Vostok para um voo de 108 minutos à volta da Terra que atingiu o seu apogeu a 370 km de altitude. Depois de entrar na atmosfera Gagarine accionou o acento ejectável e posou com algumas dificuldades perto de Saratov. Gagarine tornou-se imediatamente o mais popular herói da URSS, um herói em quem se revia o cidadão comum, na sua simplicidade, simpatia e nas suas origens modestas: mãe camponesa e pai carpinteiro. O regime soviético classificou a proeza como a prova da competitividade do socialismo
Entre 3.000 candidatos, Yuri Gagarine integrou o grupo de 20 seleccionados que passou por um intenso programa de treinos e de testes na Cidade das Estrelas. Apenas 4 dias antes do lançamento foi escolhido o cosmonauta que embarcaria na Vostok e o seu suplente: Gherman Titov. Todos os preparativos desta missão foram guardados em segredo. Se algo corresse mal durante o voo de Gagarine nada seria divulgado e este desapareceria no anonimato. O mérito do feito de Gagarine é reforçado quando se considera que a taxa de sucesso de lançamentos de cápsulas espaciais era na altura cerca de 54%, facto que o Cedro desconhecia. Mas seria curiosamente num acidente ocorrido durante um voo de treino quando tripulava um MIG-15 que Yuri Gagarine encontraria a morte, a 27 de Maio de 1968, uma semana antes do assassinato de Martin Luther King e cerca de dois meses antes do assassinato de Robert Kennedy.
Desde a morte de Gagarine até ao presente, os voos espaciais tripulados tiveram o seu auge durante o programa Apollo. No entanto, o espaço internacionalizou-se e hoje em dia astronautas russos, europeus e cosmonautas russos partilham o reduzido espaço da Estação Espacial Internacional, dedicando-se à investigação em ambiente de micro-gravidade e ao estudo dos voos espaciais de longa duração, que se poderão estender de algumas semanas a cerca de um ano. Para lá dos feitos associados à conquista do espaço, da investigação associada aos voos espaciais tripulados resultaram tecnologias que melhoraram a vida do cidadão comum cá em baixo na Terra: fatos de bombeiro anti-fogo, aparelhos de hemodiálise portáteis, o GPS, electrodomésticos sem fios, conservação prolongada de alimentos e progressos assinaláveis nas áreas da fisiologia e da psicologia, alguns deles recentemente colocados em prática durante as operações de resgate dos mineiros chilenos.
sábado, 2 de abril de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
Abençoado Alentejano
No Alentejo, um autocarro que transportava o governo chocou com uma árvore.
Pouco depois, chegou um jornalista e perguntou a um alentejano que
estava por ali com uma pá na mão:
- O Senhor viu o que se passou?
- Vi, si senhóri. O autocarro co' governo espetou-se no chaparro.
- E onde estão os políticos?
- Enterrê-os todos!
- Mas... não estava nenhum vivo?
- O 1º Ministro dizia que sim, mas vossemecê sabe como ele é mentiroso...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Muitas vezes o problema é sério, mas a solução pode ser muito simples!
Um lisboeta vai ao consultório de um conhecido psicólogo e diz-lhe:
Todas as vezes que estou na cama, acho que está alguém debaixo da cama. Nessa altura eu vou para baixo da cama para ver,
e acho que há alguém em cima da cama. Para baixo, para cima, para baixo, para cima. Estou a ficar maluco doutor!
Deixe-me tratar de si durante dois anos - diz o psicólogo. Venha três vezes por semana, e eu curo esse problema.
E quanto é que eu vou pagar por cada sessão? - Pergunta o lisboeta.
80 Euros por sessão - responde o psicólogo.
Bem, eu vou pensar - conclui o sujeito.
Passados seis meses, eles encontram-se na rua.
Então porque não apareceu no meu consultório? - Pergunta o psicólogo.
80 euros a consulta, três vezes por semana, dois anos = 12.480 euros, ia ficar-me muito caro,
entretanto falei com um alentejano na minha herdade que me curou por 20 euros.
Ah é? Como? - Pergunta o psicólogo.
O sujeito responde: - Por 20 euros ele cortou os pés da cama...
Muitas vezes o problema é sério, mas a solução pode ser muito simples
Pense numa solução, em vez de ficar focado no problema.
Pense numa solução, em vez de ficar focado no problema.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Parva que sou - Deolinda
Sou da geração sem remuneração
E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou
Porque isto está mal e vai continuar
Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
Sou da geração "casinha dos pais"
Se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
Sou da geração "vou queixar-me pra quê?"
Há alguém bem pior do que eu na TV
Que parva que eu sou
Sou da geração "eu já não posso mais!"
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
domingo, 30 de janeiro de 2011
"Todas as canções" de José Afonso reúnidas em livro
O livro “José Afonso – Todas as Canções” foi apresentado sexta-feira à noite, no Porto, e reúne as partituras, letras e cifras das 159 músicas originais criadas pelo cantor, falecido em 1987.
“É uma boa coisa ter-se finalmente conseguido publicar este livro”, começou por referir José Mário Branco, um dos quatro autores deste livro, dirigindo-se às mais de cem pessoas que se deslocaram à Fundação José Rodrigues para a apresentação da obra.
José Mário Branco, que conheceu bem Zeca Afonso e com ele fez vários trabalhos e espetáculos, lamentou ter sido preciso “esperar quase um quarto de século por um livro como este”, igualmente assinado por Guilhermino Monteiro, João Lóio e Octávio Fonseca, também eles músicos.
Decorreram “seis anos” entre o início do trabalho e a sua publicação, tudo devido à oposição de um familiar, que não deu a necessária autorização, segundo explicou.
“Foi muito triste e muito chato”, completou José Mário Branco, referindo-se a esse contratempo, que seria depois ultrapassado com a entrada em cena de uma filha de Zeca Afonso.
Octávio Fonseca disse à Agência Lusa que “aqui só estão publicadas as canções que foram editadas em disco, com exceção dos fados de Coimbra que não são da autoria dele, de resto, está tudo”.
“Se formos a ver, é a primeira vez que em Portugal há a obra completa de um cantautor publicada”, referiu ainda.
Com edição da Assírio & Alvim, o livro “José Afonso – Todas as Canções” é fruto de um “trabalho muito árduo”, continuou Octávio Fonseca, especificando que “há canções que se escreveram em cinco minutos, mas há canções que demoraram seis horas a escrever”.
A sua conclusão é que a música de José Afonso não tem, afinal, nada de simples, ao contrário do que alguns opinam.
“Desafiava essas pessoas a escreverem a sua música para verem se é simples ou não”, rematou.
O autor deparou-se com temas “muito difíceis”, como por exemplo os do álbum Eu Vou Ser Como a Toupeira, de 1972, do qual faz parte a célebre canção A Morte Saiu à Rua.
José Mário Branco traçou um breve retrato sobre Zeca Afonso.
“É um caso raro na música popular no mundo”, sintetizou.
Como cidadão, “nunca vergou a espinha na vida dele”, destacou também.
“É o nosso mestre”, reforçou, recordando que ele próprio e Sérgio Godinho tinham a “marca afonsina” já em 1967, quando se conheceram em Paris, França.
Para Guilhermino Monteiro, “ainda há um trabalho teórico a fazer em torno da obra” deste cantautor, que influenciou vários músicos da sua geração, mas também os mais jovens.
José Mário Branco contou que volta regularmente à música de Zeca Afonso: “Todas as vezes encontro dados novos”.
“A surpresa foi uma constante” durante a realização deste livro”, corroborou, por sua vez, Guilhermino Monteiro.
Com este livro, os autores esperam contribuir para um melhor conhecimento e estudo deste precioso património” que é a obra musical de José Afonso, alguém que, segundo José Mário Branco, “tinha coisas para dizer à gente”.Lusa
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Homo Sapiens
Estes machados encontrados na Península Arábica têm 125 mil anos e levaram os cientistas a uma nova hipótese (Universidade de Tübingen)
Ferramentas de pedra encontradas na Arábia põem em causa a visão consensual
O "Homo sapiens" terá começado a espalhar-se pelo mundo muito mais cedo, há 125 mil anos
Por Ana Gerschenfeld
E se, há uns 125 mil anos, muitas dezenas de milénios antes de se lançarem à conquista da Europa e do resto do mundo, vindos do seu berço africano, os primeiros humanos modernos tivessem começado por atravessar um estreito braço de mar para se instalarem em terras que hoje fazem parte dos Emirados Árabes Unidos? Uma equipa internacional de arqueólogos, liderada por Hans-Peter Uerpmann, da Universidade Eberhard Karls de Tubingen, sugere precisamente isso, com base em escavações realizadas na localidade de Jebel Faya, a uns 50 quilómetros do Golfo Pérsico. Os seus resultados são publicados sexta-feira na revista "Science".
O debate sobre como e quando os primeiros homens modernos emigraram de África e se espalharam pelo mundo vem de longe. Há quem diga que houve uma única vaga de migração e quem diga que houve várias. Mas seja como for, os dados conhecidos até aqui indicavam que o êxodo tinha acontecido há mais ou menos 60 mil anos. Quanto à rota seguida por aqueles emigrantes até a Europa e Ásia, também aí havia consenso: através do Vale do Nilo e do Médio Oriente.
O que os cientistas encontraram agora na Península Arábica são ferramentas que, segundo eles foram fabricadas com tecnologias semelhantes às utilizadas pelas populações de "Homo sapiens" que viviam no Leste de África, mas diferentes das tecnologias originárias do Médio Oriente. Isso não seria problemático se elas tivessem menos de 60 mil anos de idade. Mas acontece que, quando foram datadas (pela técnica dita de luminescência), revelaram ter... 125 mil anos.
Ou seja, estas ferramentas — pequenos machados e lâminas de pedra, entre outros — parecem contar uma história diferente. Uma história de emigração directa, há muito mais tempo, de África para a Arábia — e daí, dizem os cientistas, para o Crescente Fértil e para a Índia. Porém, nem todos os especialistas concordam com esta interpretação.
“Os humanos ‘anatomicamente modernos’ — como nós — emergiram em África há uns 200 mil anos e a seguir povoaram o resto do mundo”, diz em comunicado Simon Armitage, da Universidade de Londres e co-autor do trabalho. “Os nossos resultados deveriam estimular uma reavaliação da maneira como nós, os humanos modernos, nos tornamos uma espécie global.”
Os cientistas analisaram ainda as condições climáticas que reinavam na região há uns 130 mil anos, durante o último período interglaciar, para ver se a passagem de África para a Arábia teria sido fácil. E de facto, concluíram que o estreito de Bab al-Mandab, que separa a Península Arábica do Corno de África, tinha naquela altura pouca água devido ao baixo nível do mar, permitindo a passagem em segurança sem grandes problemas.
E mais: a Península Arábica era então uma região muito mais húmida, com vegetação abundante, com lagos e rios — muito mais acolhedora do que hoje. “Em Jebel Faya”, salienta Armitage, “a datação revela uma visão fascinante, na qual humanos modernos emigraram de África muito mais cedo do que se pensava, ajudados pelas flutuações globais do nível do mar e pelas mudanças climáticas.”
Uma voz dissonante
Num artigo jornalístico que acompanha na revista "Science" a publicação dos resultados da datação das ferramentas de Jebel Faya, surge uma voz dissonante entre os comentários entusiastas de vários especialistas. Paul Mellars, arqueólogo da Universidade de Cambridge, diz que, quanto a ele, apesar da descoberta das ferramentas ser importante e a datação bem feita, as conclusões estão erradas.
“Não há qualquer indício aqui que sugira que foram feitas por humanos modernos, nem de que eles vinham de África”, declara. E salienta que, ao contrário do que afirmam os autores da descoberta, não fica excluída de forma convincente a hipótese de se tratar de ferramentas fabricadas pelos Neandertais — ou até pelo "Homo erectus", antepassado dos humanos modernos que se sabe ter emigrado de África para Ásia há cerca de 1,8 milhões de anos.
Hans-Peter Uerpmann, um dos líderes da equipa que fez as escavações em Jebel Faya, concede que para “poder ter a certeza absoluta” de que as ferramentas foram fabricadas pelo Homo sapiens, vai ser preciso encontrar ossos fossilizados. Várias equipas de arqueólogos já declararam que tencionam lançar-se nessa procura.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Discípula de Belzebú
Transportas em ti mil frustrações;
Pobre infeliz ... de postura desbravada
Mestre na cobardia,medíocre nas acções!
Qual piton no seu covil emboscada,
De letal veneno em grandes proporções;
Espreitas a vitima indefesa, desgraçada
Envolta na mais reles das motivações!
Mesmo as feras em estado selvagem
Têm afectos,dedicação e coragem
Na defesa intransigente da sua raça.
Mas tu, como que por estranha maldição,
Perversa criatura,da natureza aberração,
Apenas em Belzebu...o teu estado de graça!
12.03.2005
José C. Ramalho - Direitos de Autor Reservados / SPA
12.03.2005
José C. Ramalho - Direitos de Autor Reservados / SPA
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Um eterno par romântico
Face ao estatuto mitológico de Casablanca, não deixa de ser irónico pensar que tudo poderia ter sido muito diferente...
Afinal de contas, chegaram a circular rumores de que o personagem de Humphrey Bogart (Rick Blaine, proprietário do "Rick's café", em Casablanca) seria interpretado por Ronald Reagan; Ann Sheridan e Hedy Lamarr foram também nomes considerados para Ilsa Lund, antes de o estúdio ter optado por Ingrid Bergman. além do mais, ficou lendário o secretismo que envolveu a escrita do argumento, a ponto de, durante grande parte da rodagem, os actores desconhecerem o que aconteceria na cena final de despedida no aeroporto.
Para Bogart, aos 43 anos, o filme funcionaria como um momento decisivo na evolução da sua "persona" cinematográfica. até aí consagrado como símbolo do filme de gangsters (relíquia macabra surgira um ano antes), ganhou, com Casablanca, a dimensão de herói romântico: por alguma razão, Bogart & Bergman persistem como um modelo universal do romantismo cinéfilo.
Dirigido por Michael Curtiz, um dos mestres europeus de Hol- lywood (era de origem húngara, nascido em 1886), Casablanca transformar-se-ia num dos principais símbolos do "filme de guerra": a estreia em Nova Iorque (Novembro de 1942) foi mesmo agendada para ecoar a invasão do norte de áfrica pelas tropas aliadas. nos óscares, foi consagrado como melhor filme do ano, vencendo também nas categorias de realização e argumento.
in... DN Artes
sábado, 22 de janeiro de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
Na loucura da noite
Depois de um jantar
em que tudo foi menos isso,
mãos nas mõas...
olhos nos olhos...
e uma lareira acessa
tal qual nossos corpos...
com um tremor de nao querer
A luz quente faz deleniar a tua face
tu olhas para mim fixamente
e acaricias-me os cabelos soltos
pedido-me em silencio um beijo
O meu corpo estremece
digo que "não"mas dando
o beijo tão querido e tão apetecido
Fecho os olhos, e deixo-me voar....
O meu corpo se transforma
tal qual uma flor
que se deixa beijar pelo orvalho da manhã
e acariciado pelas tuas mãos como brisas.....
Vem, pelos meus cantos
e recantos, descobrir
amar, levar a loucura
para te levar comigo tambem......
Duas sensações numa só
Dois corpos num só
num amar louco de beijos
caricias, de nossos corpos
e um cair de petala a petala
de uma flor que por muito querer
na loucura da noite fui tua
Maria Fátima Porto
domingo, 9 de janeiro de 2011
Cavaco e o bando do BPN
Estamos quase em eleições,
Para eleger um presidente;
Não acabam as confusões,
Dos politicos aldrabões
E quem se lixa é a gente.
No reino do cavaquistão,
Só jogadas e compadrios;
E o Zé Povinho sem tostão,
Vai ter que estender a mão,
Porque fica a ver navios.
Os impostos sempre a subir,
A inflacção a galopar…
Para que uns possam sorrir,
Os outros ficam a ganir;
… É para isso que vais votar?
Isto só já vai à paulada,
Não é verdade, Zé Povinho?
Ter que aturar esta cambada,
Que roubam à descarada,
E tens que ficar caladinho?
O Cavaco ensacou milhões,
E quer mais tacho o glutão;
Tu ficas a contar os tostões,
E ele no negócio das acções,
Um verdadeiro tubarão.
José C. Ramalho - Direitos de Autor Reservados / SPA
sábado, 8 de janeiro de 2011
Alentejo
Folheia-se o caderno e eis o sul
E o sul é a palavra. E a palavra
Desdobra-se
No espaço com suas letras de
Solstício e de solfejo
Além de ti
Além do Tejo
Verás o rio e talvez o azul
Não o de Mallarmé: soma de branco e de vazio
Mas aquela grande linha onde o abstracto
Começa lentamente a ser o
Sul
Outro é o tempo
Outra a medida
Tão grande a página
Tão curta a escrita
Entre o achigã e a perdiz
Entre chaparro e choupo
Tanto país
E tão pouco
Solidão é companheira
E de senhor são seus modos
Rei do céu de todos
E de chão nenhum
À sombra de uma azinheira
Há sempre sombra para mais um
Na brancura da cal o traço azul
Alentejo é a última utopia
Todas as aves partem para o sul
Todas as aves: como a poesia
Manuel Alegre (Alentejo e ninguém)
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
A indiferença
Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.
Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir chegou a vez de alguns padres,
mas como nunca fui religioso, também não liguei.
Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.
Bertolt Brecht
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
domingo, 19 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
John Lennon morreu há 30 anos
Passam hoje exactamente trinta anos sobre a morte de John Lennon. Assassinado à porta de casa, em Nova Iorque, com quatro tiros disparados por um fã obcecado, o ex-Beatle e eterno activista tornou-se num dos maiores ícones da música e da paz.
Nascido e criado em Liverpool, Lennon esteve na origem da formação dos Beatles em 1960. Nos dez anos de existência, a banda tornou-se num verdadeiro sucesso comercial e foi aclamada pela crítica muito por culpa da dupla de compositores formada por Paul McCartney e John Lennon.
Após a separação dos «Fab Four», Lennon prosseguiu a sua carreira musical a solo e colaborou com a sua mulher, Yoko Ono, ao mesmo tempo que mostrava cada vez mais a sua faceta de activista político, insurgindo-se publicamente contra a guerra no Vietname.
«Imagine», «Jealous Guy», «Instant Karma!» e «Give Peace A Chance» são alguns dos maiores êxitos de John Lennon no período pós-Beatles.
A 8 de Dezembro de 1980, Lennon foi brutalmente assassinado por Mark David Chapman à entrada do edifício Dakota, onde vivia, em Nova Iorque. Chapman foi condenado a uma pena mínima de 20 anos de prisão e o seu sexto pedido de liberdade condicional, feito em Setembro passado, foi recusado.
Dos vários memoriais e monumentos construídos em tributo de Lennon, o Strawberry Fields Memorial, no Central Park de Nova Iorque, é um dos mais famosos e visitados. De resto, a vida e obra do músico falecido aos 40 anos de idade continuam a ser relembradas um pouco por todo o mundo, desde estátuas em Cuba até torres de luz na Islândia.
in...IOL
Nascido e criado em Liverpool, Lennon esteve na origem da formação dos Beatles em 1960. Nos dez anos de existência, a banda tornou-se num verdadeiro sucesso comercial e foi aclamada pela crítica muito por culpa da dupla de compositores formada por Paul McCartney e John Lennon.
Após a separação dos «Fab Four», Lennon prosseguiu a sua carreira musical a solo e colaborou com a sua mulher, Yoko Ono, ao mesmo tempo que mostrava cada vez mais a sua faceta de activista político, insurgindo-se publicamente contra a guerra no Vietname.
«Imagine», «Jealous Guy», «Instant Karma!» e «Give Peace A Chance» são alguns dos maiores êxitos de John Lennon no período pós-Beatles.
A 8 de Dezembro de 1980, Lennon foi brutalmente assassinado por Mark David Chapman à entrada do edifício Dakota, onde vivia, em Nova Iorque. Chapman foi condenado a uma pena mínima de 20 anos de prisão e o seu sexto pedido de liberdade condicional, feito em Setembro passado, foi recusado.
Dos vários memoriais e monumentos construídos em tributo de Lennon, o Strawberry Fields Memorial, no Central Park de Nova Iorque, é um dos mais famosos e visitados. De resto, a vida e obra do músico falecido aos 40 anos de idade continuam a ser relembradas um pouco por todo o mundo, desde estátuas em Cuba até torres de luz na Islândia.
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