quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Portugal no Mundial da África do Sul 2010


O vento nunca poderá ser castrado


O vento que te tocava suavemente,
Desencantado perdeu a motivação;
Mudou de rumo, tomou nova direcção,
Não o soubeste amar verdadeiramente.

Amar é dividir, não prender à corrente,
O amor não pode ser uma prisão;
O vento tem de amar com o coração,
Ser livre de pensar como toda a gente.

O vento nunca poderá ser castrado,
Ama a liberdade, é livre pensador,
E nunca por ninguém foi subjugado.

Tem alma de poeta e é cantador,
A poesia é o alimento do seu Fado,
O que faz dele um eterno sonhador!...

José C. Ramalho - Direitos de Autor Reservados / SPA

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Cantadores de Redondo - Grândola Vila Morena

De manhãzinha toda garbosa


De manhãzinha
Toda garbosa
A minha vizinha
Passa vaidosa

De cão à trela
Batendo o tacão
É uma estrela
De ocasião

Moça vistosa
Não digo que não
Um pouco pirosa
Que frustração

Muito convencida
Nas curvas que tem
Mas bem espremida
Não solta vintém

Passeia o Lulu
Não tem profissão
Bamboleia o cú
Em pura exibição

Passa vaidosa
A minha vizinha
Toda garbosa
De manhãzinha.

José C. Ramalho - Direitos de Autor Reservados / SPA

Vejo o Rio Mira a correr


Foto JC Ramalho

Vejo o Rio Mira a correr,
Entre vales, outeiros e montes;
E agora ao entardecer,
Desaguando em Milfontes.

Estou sentado na areia,
Procurando a inspiração;
Porque toda a minha idéia,
Se concentra numa paixão.

Já o sol desapareceu,
E esta noite é de luar;
Vejo uma estrela lá céu,
Tão graciosa a cintilar.

É de primeira grandeza,
Sua luz é superior;
Porque supera em beleza,
Outras de grau inferior.

Vou terminar esta canção,
Que agora acabei de compor;
O rio deu-me a inspiração,
Para expandir o meu amor.

José C. Ramalho - Direitos de Autor Reservados / SPA
(Recordando as férias em Vila Nova de Milfontes no já distante ano de 1978)

O amor e a morte são factos banais


Há na vida duas coisas que são fatais,
E que jamais se poderão remediar;
E cada uma no seu próprio lugar,
Verificamos que no fim são iguais.

O amor e a morte são factos banais,
Em nossa vida são sempre de esperar;
A morte é a nossa vida a terminar,
E o amor, quando vai, não volta mais.

São na vida as coisas mais parecidas,
São o final das esperanças perdidas,
São o desabar de toda uma vida.

Uma vida onde só viemos penar,
Cheia de obstáculos a ultrapassar,
E sómente a isto é resumida!...

José C. Ramalho - Direitos de Autor Reservados / SPA
in... "Metamorfoses da Minha Vida"

Vénus é coisa inventada


Ser Poeta um dia sonhei,
Tal facto ninguém diria;
Quando um dia te encontrei,
Encontrei a poesia.

Uma musa de inspiração,
Todo o Poeta deve ter;
Uma grande motivação,
Dá-lhe forças para escrever.

Vénus foi deusa do amor,
Muitos Poetas inspirou;
Desde o mais pequeno ao maior,
Todo o Poeta a celebrou.

Eu, Vénus não quero cantar,
É um ser sobrenatural;
Uma musa p´ra me inspirar,
Deve ser humana, real.

Ser mulher é a condição,
Para celebrar em poema;
Dispenso Vénus, pois então,
Está fora do meu lema.

Mas tu morena, meu amor,
És mulher por natureza;
Quero cantar-te com fervor,
Nisso tenho eu a certeza.

És minha musa encantada,
Como tu não há igual;
Vénus é coisa inventada,
Tu és mulher, és natural.

José C. Ramalho - Direitos de Autor Reservados / SPA
in... "Metamorfoses da Minha Vida"

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Chegáste de mansinho deslumbrante


Chegaste de mansinho deslumbrante,
Envolta em sensualidade e sedução;
Nossas bocas se beijaram com tesão,
E os corpos se uniram num instante.

Provocadora, gostosa, insinuante,
Corpos suados rolaram pelo chão;
Momentos loucos vividos com paixão,
Ali mesmo te tomei, perfeita amante.

Teu gosto , teu cheiro pairam no ar,
Tua volúpia de novo inflamada,
Anunciam novo gozo no momento…

Soltas palavras para me endoidar,
De novo serás por mim tomada,
Divina musa do meu contentamento.

José C. Ramalho - Direitos de Autor Reservados / SPA

Quero a permanência de um beijo


Quero a permanência de um beijo
Pele acesa, carícias fartas, a dobrar-me
Meus sentidos conduzidos com desejo
E uns carinhos, tão intensos, a tocar-me


Quero-me senhora do teu corpo
Rendida à urgência da paixão,
Aliviada em meus temores mais antigos
Entregue ao que manda o coração


Perdida, bem assim, como me encontro
Arrasto-te pros meus braços, o faço meu
Orno tua ardência com meus gozos
Tomo-o, para ser meu Prometeu.


Minha imaginação bem generosa
Insita-te a despir-me onde mais sou
Amante, intensa, solta, toda tua
Generosa no que tenho e no que dou.


Usantes

Na tua boca um beijo


Na tua boca um beijo
Muito gostoso
É um desejo
É fogo ardente
Que se sente
Nos teus seios
Redondinhos
Muito rijinhos
Acariciados
Docemente
Estremeces, suspiras
Quando ao tocar-te
A tua caverna humedece
E cedes ao impulso
Gemes, imploras
Para te tomar
Fêmea gostosa
Cheia de prazer
Te entregas, gritas,
Te dás e te agitas,
Voluptuosa , explodindo
Em múltiplos orgasmos
E abraçados, colados
Assim aconteceu
Naquele instante
Em que teu corpo
Foi apenas meu…

José C. Ramalho - Direitos de Autor Reservados / SPA

Dos instantes partilhados ternamente


Dos instantes partilhados ternamente,
Foram sonhos lindos que eu sonhei;
Foste a mulher ardente que desejei,
Foste o poema que escrevi suavemente.


Foste a flor que germinou da semente,
Que no jardim da poesia eu inventei;
E em versos simples te imortalizei,
Como musa, poetisa ou mulher,sómente.


Que importa querer enganar os sentidos,
Se esses sonhos que dizes adormecidos,
Pairam no ar, embrenhados de emoção…


A vida é um ciclo que não pode parar,
Por isso continua sempre a acreditar,
Que o amor existe, é eterna renovação.



José C. Ramalho - Direitos de Autor Reservados / SPA

Dá-me teu abraço, te dou meu calor


Permita-me tomar tua poesia
Fazer dela a minha canção
Entoar em sonho a melodia
Deixar contente meu coração

Permita-me captar teu jeito
Descrever teu sonho, tua alegria
Despir tua alma, mostrar teu peito
Compor teu momento, fazer teu dia

Permita-me beijar tua certeza
Dissipar tua dúvida, alimentar desejo
Imaginar horizonte, sonhar grandeza
Querer momentos, saborear teu beijo

Permita-me, num aceno, e me vou
Atenta-me, e dê-me a ti, sem temor
Deseja-me pra ser tua, e me dou
Dá-me teu abraço, te dou meu calor.

[Usy – Poema Comum – Pedido]

Corpos suados, sôfregos de emoção


Reclamaste o meu carinho, estavas carente,
Quando te tomei naquela madrugada;
Envolvi-te nos meus braços bem apertada,
E o teu desejo se expandiu naturalmente.


Toda a sensualidade de mulher ardente,
Tua lascívia totalmente libertada;
Foste a amante perfeita, muito ousada,
Sem tabus, e desinibida totalmente.


Corpos suados, sôfregos de emoção,
Ávidos de se consumirem com paixão,
Se libertaram num deleite anunciado.


Momento mágico que nós vivemos,
Em que por inteiro nos absorvemos,
Estava o nosso momento consumado!...


José C. Ramalho - Direitos de Autor Reservados / SPA

Horizontes de tantas fugas


Horizontes de tantas fugas
Lugar de gestos incontidos
Denúncia, renúncia, sentimento
Verbo exarcebado, exagerado
Verdades nuas, sentenças
Emoção, tormento, inquietude
Tristeza, ora disfarçada, ora cantada...
Tu, poesia, tu prevaleces!

Inquilina de todos os desejos
Plena de juventude e vaidades
Senhora e dona de tantos “ais”
De tantas canções e melodias.
Por ti, certezas, convicções
Para ti, assombrosos demônios,
Disfarces, manias, fugas,
Pois tu, poesia, tu prevaleces!

Serva e dona do amor
Lágrima dos desencantos
Ao te dar a vida, lamentamos
Servir-te, imaginação e imagens,
Cenário, cena, drama, ficção
Se em ti estreamos sonhos, dores, alegrias
Na mesma proporção, revelamos encanto,
Por que tu, poesia, tu prevaleces!

Por ti, flagelo, paixão à flor da pele
Ferida exposta, serenamente sangrando
Versos, rimas, altares das cicatrizes
Medos despertados, intimidados
Com cuidado viramos à esquina da palavra
Damo-nos em outras rimas, longas, curtas
Já que tu, poesia, tu prevaleces!

[Usy – Poema Comum]

domingo, 15 de novembro de 2009

Áh! O Poeta!!


Ah! O Poeta!!

Que voou e que aterrissagem extraordinária pode fazer o poeta, no mais íntimo sentido das palavras!!
Só ele consegue tal proeza. E o consegue porque se move entre a pretensão e a certeza de poder dizer o que sente, vive, sonha, deseja e quer.
Poetas se escondem nos versos, se deliciam em gozos que são deles apenas, se extasiam ante a possibilidade de interação [mas isto é utópico].
Só um poeta fica ali, ‘parado’, olhando a noite estrelada, sentindo o frio no rosto, aquecendo o coração, liberando as emoções, libertando os sentimentos, os desejos, os fantasmas...
Só um poeta sente no corpo e na alma, ao tempo em que enxergam um bom motivo para encontrar a exuberância da vida, e ver muito mais adiante...
Sabe por que isso acontece? Por que o momento das palavras e da poesia expressa nos versos só pertence ao poeta.
Poeta é como colibri sedento da mais pura seiva. Por isso bate asas e voa longe, até alcançá-la. Sim, por que a seiva mais doce nem sempre está perto.
Poeta canta lento (tal qual colibri), por que lhe importa saber que seu canto pode provocar alegria. Também compõe melodias, ao traçar palavras e versos. A música que as palavras e os versos cantam resultam dos sentimentos, brotaram dos encontros, e dos desencontros também.
Para poeta poesia é provocada e é provocação! E Tal qual a enchente que faz um rio transbordar, assim também o poeta; sente e transborda.


Com os devidos agradecimento á autora:

[Usy] - Useene Santana Leal - Poetisa e Filósofa



sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Palavras e expressões alentejanas



Palavras e Expressões Populares Alentejanas (exp.)


......A

Apanha a lebre - Quando alguém cai Arriar o Calhau - (exp.)Ir ao WC
Adondi -Onde . atão - Então Azete - Azeite
amori - amor . Enrascado - Atrapalhado Abalari - ir embora . Açucre - Açúcar
Amanhari - arranjar . Andê - Andei Agente- Nós
Ali ó pé - Ali junto . Abordo - Aborto Adondi vais ? - (exp.)Onde vais?
Amanhêm - Amanhã Andar à bulha - (exp.) desavença
Alfacem - Alface p/salada Atalicar - Provocar, atiçar
Abalou - Foi embora Azarado - Pessoa que não tem sorte
Anzoli - Anzol da pesca
Apoquentado - Preocupado
Alvanéu - pedreiro , const civil
Arretalhar - Dar um corte com a faca, normalmente em azeitonas e castanhas
Andar à unha - andar em desavenças, desentendido A modesqui - (exp) Parece que !!
Abuínha - Borboleta pequena Assarapantada - Assustada, confusa
Avondo - já chega . Adrego - Por acaso Aventar - Jogar ao vento, atirar
Aporrinhado- Chateado, incomodado Ainda bem não - quer dizer outro dia
Azelha - Sem jeito, pouco habilidoso Assomar - Espreitar - (exp.)assoma-te aqui ao vestigo
Adepois - Depois Azogue- iman
Às tantas nem sabe o que está a escrever - (exp.) provavelmente nem sabe .... Aonde vais - (exp.)onde vais?
A tua pinta (vagina) chê d`arroz- expressão utilizada entre mulheres quando uma diz algo que não faz sentido á outra ou que lhe está a tentar tomar por parva anastacio/anstaiçado- parvo

.....B

Barafunda - Confusão .Tá Buzio - (exp.)Está embaciado-baço Bresuntar o pão - Barrar o pão (c/ mateiga )
Bodega - Coisa sem utilidade Balharico - Baile . Barafuso - Parafuso
Balhe - Baile . Barriu - Bairro Banhar - Nadar
Bem esgalhado- bem feito Bem amanhado - Bem arranjado, bem tratado (exp.): esta horta tá bém amanhada
Bajolo - Pedra grande sem formato Balhar -dançar bestigo - tapa luz da porta
Bilha - Qualquer vasilha Baboso/Embabosado - parvo, estupido
Bêços- lábios Bolegar ou andar ao bolego - significa lutar - era usada na zona de
Mertola e tambem na zona de Serpa

......C

Carraspana - Resfriado (Ex: Esta noite apanhei uma grande carraspana= apanhei muito frio)
Campo da Bola - Estádio de Futebol Coito - Couto (coutada caça)
Cambra - Câmara Municipal Calitro - Eucalipto
Cafei-café . Camineta - Camionete
Compromissio - Compromisso
Carepa - caspa (cabelo) . Chóriço - Chouriço Calidade - Qualidade .
Canti - cantar . Cacete - Pau Cagár - Ir ao WC . Canzuada - Vários Cães
Clubi - Clube . Casão - Armazém Como tão? - Como estão, como vão
Cuprativa - Cooperativa . Chico - Francisco Cheira mal que tresanda: (exp.) Quando lhe cheira mesmo muito mal
Catrina - Catarina . Cambria - cãibra Chanfrado da cabeça - (exp.) Que está tonto, maluco
Canseira - Trabalheira, trabalho difícil Cubrir - ter relacoes sexuais
Chegou a casa às tantas - (exp.) chegou muito tarde Cisco - Lixo , Cabelerice - Cabeleleira
Cachaporrada- Estalada, murro, etc Cu - Ânus
Cona - Vagina Cover - O que houver (exp.) Haja o que Houver
Colhão - Testículo Chapada - Estalada (exp.)Levas uma chapada
cadinho - um bocado, só um pouco (exp.) dá-me um cadinho de pão Calhando - Talvez

......D
Dê - Dei . Estabordar-Transbordar Dá cá um bacalhau - (exp.)dá cá um aperto mão - forma de cumprimentar
Drome - Dorme . Dinhêro - Dinheiro Drento - Dentro
Drumir - Dormir . Dicamentos - Medicamentos Desapareceu do mapa -(exp.) Deixou de ser visto
Dreta - Direita. Desanda - vai-te embora Desampara-me a loja - vai-te embora
Dar vazão - Chegar para as encomendas Desencaminhado- marginal
De má rés - pessoa imprestável e ou perigosa De má raça - Pessoa imprestável
Dempelão - despido , nú
Dá álas - Dar aulas
Desmangaritado - partido
Detari - Deitar


.......E

Estabordar - Transbordar É só fezes - (exp.)é só problemas
Emaili - Email . Escola Ténica - Esc. Técnica Estriqueira-Estrumeira
Estrambelhádo - Meio doido Esgroviada - Pessoa alvoraçada (Mulher)
Estevo - Estúpido, Burro Encanfuado - Escondido
Esgalhar uma - masturbar-se Estrampalhado - Avariado . Desorganizado
Estás armado em carapau de corrida - (exp.) quando alguêm se julga mais esperto Endreta-te - Pôr direito
Esquero - chiqueiro, pocilga porcos Enfardar - Comer, levar porrada - (Exp.) Já tás a enfardar
Ervilhanas ou Alcagoitas - amendoins Esparverado - aquele que está distraido ou quando diz qualquer
coisa sem nexo
Enxovalhado - Amarrotado, desrespeitado Enrascado - Que esta atrapalhado , confuso
Estar enteirado - Estar informado. Encigueirado - Cheio de vontade
Esgravatar- Pequenas escavações que alguns animais domésticos fazem com as patas
Enoiro- parvo . Escampar - cessar de chover
Emparvatado- parvo, estupido Extroviado- maluco

......F
Faxavore - Se faz favor . Franhera - Farinheira Furgoneta - Carrinha
Farrapo - Pedaço de pano Foi enxogado - (exp.) Foi malhado - levou pancada
Fuim - Fui Fui a escala - Fui busca-la
Figorifo - Frigorifico Fazer das tripas coração- (exp.)suportar com paciência
Fezes - Problemas, chatices

......G

Grande Lesma -(exp.) fracalhote,muito lento Ganfar - Roubar
Gravançada - Cozido grão Girolmo - Jerónimo
Grande 31 - (exp.)Grande problema Galdéria - Mulher mal comportada
Ganir - Ladrar - Gratuitis - gratuito gajo/a/- tipo, fulano (exp.) este gajo é maluco)

......H

Havera - Haver Hoje tas cô oureão- hoje estás mal humorado

......I

Interneti - Internet . Inda tás aí ? - (exp.)Ainda aí estás ? indicamentos - medicamentos
Irmões - Irmãos vai gaspiado - vai muito rápido
oIntricante- prevericador, intriguista

......J

Jaquim - Joaquim Já vens a dá fé - (exp.) feito curioso
Já mes tás a fazer passar da cornadura - Estou a ficar sem paciência (exp.) Já tás com a cabeça aos bacos- já estás a inventar, ou a propôr algo sem sentido
Já chega - Tem ávondo

......L

lête-leite . Lavrari - Lavrar Logem - Loja, comércio

Lá vai de chocalho a bordão - A andar desengonsado Loiseiro- pessoa que conta muitas graçolas, ou que aborda as coisas com
muita superficialidade em tom de brincadeira

......M

Manhêm - Manhã . Maneli - Manuel Mê filho - Meu filho . Murtado - Multa
Metêssi - Metesse. Migalheiro - Mealheiro Maniento - Vaidoso, pessoa com ar importante
Missão - Missa demorada Mal criado - Mal-educado
Magana - Mulher velhaca, trapaceira Maltês - Homem que não para em casa
Manganão- Homem garande, homem de má índole . Marrafa - Risco no cabelo depois penteado Mudar a água às azeitonas - Urinar
Mijar - Urinar
Monturo de lenha - monte de lenha moço - rapaz
Más mole cum figo- pessoa pouco activa Magana- espertalhona
Más puta cás galinhas- mulher extremamente promiscua

......N

Nã - Não . Neque tá- onde está Nôte - Noite . Nomi - Nome
Na te entéras - (exp.) Não sabes? Na te rales - ( exp.) não te preocupes
Na paras na canastra - (exp.) não estás sossegado - não consegues estar parado Na paras em ramo verde- (exp.) não está sossegado - não consegue estar parado
Na diz coisa com coisa - (exp.) Já não sabe o que diz Na dá mão -(exp.)Não liga ao que lhe dizem
Na quer as sopas - (exp.) Quando se está a tentar fazer alguma coisa e não se consegue Na ai -(exp.)Não há
Nariz aceso - Constipação no nariz Na dá conta do recado - (exp.)Não consegue tratar das tarefas que se propôs
Pôr-se à coca - ficar atento pôr-se na alheta - fugir, escapar-se
Não vale um chocalho d´erva - Não vale nada Não dou notícia - (exp.) quando lhes perguntamos por exemplo se conhecem um determinado sítio e ele não sabe

......O
óvera - Havia . Onte - Ontem Ontágora = há pouco tempo atrás
óvintes - ouvintes - Ontiagora - à momentos atrás Odepois - Depois

.......P

Pitróli - Petróleo . Pássaro bisnau - Pénis Pêxe - Peixe . Poio, Bosta - Excremento
Panedro -pedra , já tenho pa me remediar - (exp.) Já tenho que chegue por agora Pandelero - Que tem aspecto feminino, maricas
Pinico - Bacio , penico . Pêto - Peito Pinote - Salto . Poças - (exp.)usada quando alguma coisa não corre bem - irra
Penceleta - Peq. pincel . - Pranta aí = coloca a Peganhoso - Que gosta de se meter com os outros, provocante
Pertechinho - Perto, próximo Pirum - Peru, perua
Pelam-se por ler isto - gostam de ler isto (exp.) Prantei aqui - (exp) coloquei aqui ....
Pinguela - Pequena ponte sobre um barranco ou ribeira Punheta - Acto de masturbar
Passaloza - A Borboleta Pôr-se na alheta - fugir, escapar-se
Pastelemão - pessoa pouca activa Pavão- parvo

......Q

Qrido - Querido

......R

Ribanceira - Baranceira . Ribêra - Ribeira Respêto - Respeito . Rabanho - Rebanho
Rôpa - Roupa . Rodilha - Guardanapo
Ritimo - Ritmo (ex:trabalha c/ mt ritmo)

......S

Sô - Sou . Sofases - Sofás Se eu lhe der guita -(exp.) se o deixar à vontade - se fizer caso dele/a
Stander - Stand
Sonturdia -(exp.) Quando se refere algum acontecimento ocorrido dias atrás Exemplo: sonturdia estive em Lisboa
São mais que muitos- (exp.) são muitos Se bem calha - (exp.) provavelmente
Suador de pêto - acasalar, excitar Sombrinha - Chapéu de chuva
Se calhar - talvez Suão - Vento sul muito quente

......T

Távendo - Esta a ver . Tremera - Nervoso Tanganho - Pauzinhos
Tardi - Tarde (boa tarde) . Tónho - António
Tamêm - Também
Tamos cagádos - (exp.) usada quando as coisas não correm bem Tá lé a Tontaria - (exp.) quando não concorda com o que se disse
Tá lé o esparragado - (exp.) Alvoroço - Confusão - barulho Tô de pau feto - (exp.)Estou excitado
Trempe - Acessório em ferro para colocar as panelas ao lume Tás a mangar - (exp.)Não está a falar a sério
Tá fazendo ronha - (exp.) Não está a aproveitar o tempo, finge que fáz Tá passado da cabeça - (exp.)Não está bom, está maluco
Tá lé a lengalenga - (exp.) Quando se repete, enfadonho Trigue - tigre Talmente - Naturalmente
Tá fêto mariola - (exp.) Está feito brincalhão Tanta porquera - muita porcaria
Tónho - António tas com fastio? - tas sem fome?/Tas enjoado
Tanta familia - Muita gente Tel Nei a Moinha- ai que chatice
Tém ávondo - Já chega Taronja - Meio tonta Tarroera - barreira
Tá mangando comigo - está brincando
Tava -Estava (exp.) estava estudando
Tal tá porra - Estou a perder a paciência tá uma grande calma -(exp.) para referir que está muito calor
Tás lixado - estás tramado Tomatas- tomates

......U

Untar o pão - Barrar o pão .

......V

Vreda - Vereda (atalho, caminho) Viu uma data deles - (exp.)viu muitos
Vais ter um lindo enterro - (exp.) não ter êxito Pelam-se por ler isto- gostam de ler isto
Velháca - má Viro-te as tripas ao contrário - Ameaça de agressão fisica
Viro-te do avesso- Ameaça de agressão fisica Vocemessê - Você
Vazar a bolsa - Ejacular Vai levar no cu - (exp.) Quando se quer agredir verbalmente alguêm
Vou-me assacudindo - Vou-me embora

......X

Xati - Chat Xumela - Almofada

:::::::Z

Zéi - (Zé) José . Zaragata - desordem Zêtona- azeitona

***


Várias formas de um Alentejano responder à pergunta "então como vai?" ou "como está"

Vamos andando - vamos desandando - vamos mais ou menos

vamos indo - vai-se vivendo

" Vai o tipindo!"

Várias formas de um Alentejano responder à pergunta "tal tás" ? ou " como vais indo" ?

"cá temos" ou entao "na mema", ou mesmo as duas

***


Várias formas de um Alentejano se expressar quando vai urinar

Vou mijar - Vou mudar a água ás azeitonas - Vou regar as urtigas

Vou esvaziar o vazelhame


***
Várias formas de um Alentejano se expressar quando vai obrar

Vou cagar, vou-me abaixar, vou arriar o calhau, vou dar de corpo


***
(O que ouvimos na rádio)

Pergunta o reporter - Então e a senhora já viu alguma vez um auto-estrada?? ...Responde a velhota - Não!! ...se vi, na ma lembro

in... Tudoben.com - O Portal Alentejano

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Tradição popular oliventina




Na Vila de Olivença
não se pode namorar!
As velhas saem ao Sol
e põem-se a criticar!


Ó minha mãe, minha mãe,
"companhêra" de "mê" pai,
eu "tamêm" sou "companhêra"
daquele cravo que ali vai!


Eu tenho uma silva em casa
que me chega à "cantarêra"
busque "mê" pai quem o sirva
que eu "nã" tenho quem me "quêra"!


Olha bem para o "mê" "pêto"
onde está o coração
vê lá se disto há "dirêto"
diz-me agora: sim ou não !


"Azêtona" pequenina
também vai ao lagar;
eu também sou pequenina
mas sou firme no amar.


Saudades, tenho saudades,
saudade das "fêticêras".
Lembrança das amizades
da terra das "olivêras".


Se eu tivesse não pedia
coisa nenhuma a "nênguém"
mas, como "nã" tenho, peço
uma filha a quem a tem.


Adeus, Largo do Calvário
por cima, por baixo não.
Por cima vão os meus olhos
por baixo, meu coração.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Olivença foi usurpada


"Nobre, Leal e Notável Vila de Olivença"

Olivença foi usurpada,
Da Pátria-mãe separada,
Pelo odioso castelhano;
Gente de alma alentejana,
Nessa nobre vila raiana,
Agrilhoada pelo tirano.


Oliventinos massacrados,
Por amarem a sua terra;
À morte foram condenados,
Por quem lhes fez a guerra.


Sua língua portuguesa,
Também lhes foi proibida;
Mas todos temos a certeza,
Que nunca por eles esquecida.


É triste um povo oprimido,
Pelas garras do invasor;
Estrangulado sem sentido,
Por nunca se ter permitido,
Pactuar com o opressor.


Governantes de Portugal,
Tenham coragem e atenção;
Olivença é primordial,
Para a soberania nacional,
Nesta delicada questão.


José C. Ramalho - Direitos de Autor Reservados / SPA

domingo, 1 de novembro de 2009

O Remexido - Guerrilheiro Algarvio


Remexido



Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Remexido ou Remechido (como se escrevia no século XIX), nome por que ficou conhecido José Joaquim de Sousa Reis (Estômbar, 19 de Outubro de 1797 - Faro, 2 de Agosto de 1838) foi um célebre guerrilheiro algarvio, que nasceu no Algarve em 1797, em Estombar.

História

Casou-se em S. Bartolomeu de Messines. Deve-se, aliás, ao seu casamento, o nome por que ficou conhecido, já que se rebelou (remexeu) contra o seu tutor, que lhe proibia o casamento. Era um homem de posses, capitão de ordenanças, além de exercer a função de recebedor do concelho. Servindo D. Miguel, e lado a lado com o brigadeiro Cabreira, derrotou o famoso Sá da Bandeira na batalha de Sant’ Ana. Estava-se na época da guerra civil, entre liberais e miguelistas.
Quando o primeiro duque da Terceira invadiu o Algarve, no decurso da Guerra Civil portuguesa, o Remexido escondeu-se na serra algarvia, onde, recorrendo a uma táctica de guerrilha e apoiado por serranos, venceu sistematicamente as tropas governamentais. Diversos crimes foram cometidos em seu nome e rapidamente se tornou uma lenda de temor que se espalhou até ao Alentejo. Contudo, estudos recentes parecem ilibá-lo de tais crimes e acções ignominiosas.
De facto, no final da guerra, em lugar de lhe concederem o perdão a que, nos termos da Convenção de Évora-Monte, tinha direito, as novas autoridades liberais queimaram-lhe a casa, açoitaram-lhe publicamente a mulher com a palmatoria (castigo comum na época atribuído às prostitutas ) por não revelar onde ele se encontrava escondido e, por fim, mataram-lhe um filho de 14 anos. Revoltado contra tal crueldade, vingou-se como podia e jamais se entregou, mantendo a sua acção de guerrilha ainda durante vários anos. Procurava castigar os que os perseguiam, mas perdoava aos soldados que lhe caíam nas mãos, porque desempenhavam um serviço que eram obrigados a fazer. Por fim, foi capturado, levado a Conselho de Guerra e fuzilado em Faro. Julgado por um Conselho pouco simpatizante da "causa miguelista", e mesmo tendo-lhe a rainha D. Maria II concedido o perdão, tal ordem não foi cumprida e fuzilaram-no por interesses políticos e pessoais.

Xutos e Pontapés - 30 anos


sábado, 31 de outubro de 2009

Fado de Lisboa

Na segunda metade do século XIX, surge em Lisboa, embalado nas correntes do romantismo, uma melopeia que tanto exprimia a tristeza unânime de um povo e a desilusão deste para com o ambiente instável em que vivia, como abria faróis de esperança sobre o quotidiano das gentes mais desfavorecidas e, mais tarde, penetrava ainda nos salões da aristocracia, tornando-se rapidamente uma expressão musical nacional.
Porém, a sua origem histórica, sem grandes aprofundamentos, tem para uns autores filiação mourisca ou africana, e para outros surge como importação do Brasil, sob o espectro da tradição do lundum, que terá encontrado a expressão máxima com o acompanhamento da guitarra.
Segundo o músico Rui Vieira Nery, a história do fado tem início bem longe de Lisboa. Em 1808, com o exército francês, juntamente com os aliados espanhois, já em território português, o rei D. João VI vê-se obrigado a partir com a sua família para o Brasil, sendo seguido prontamente pela corte. Depois da partida da corte para a antiga colónia, parte da população decide migrar para o mesmo local.
O retorno destes emigrantes a Lisboa, juntamente com a expressão musical dos britânicos, espanhóis e franceses que se haviam estabelecido na cidade, depois daquele período turbulento, cria uma espécie de «movimento cultural» popular, que logo receberia o nome de fado. Começou por ser cantado nas tabernas e nos pátios dos bairros populares, como Alfama, Castelo, Mouraria, Bairro Alto, Madragoa, mas logo tomou importância nacional.
O fado era na altura considerado uma expressão artística herética. As suas origens boémias e ordinárias, baseadas nas tabernas e bordéis, nos ambientes de orgia e violência dos bairros mais pobres e violentos da capital, tornavam o fado condenável aos olhos da Igreja, que desde cedo tentou impedir a evolução de tal movimento.
Porém, é com a penetração da fidalguia nos bairros do castelo, com a presença constante dos cavalheiros e mesmo fidalgos titulares, que o fado se torna presença nos pianos dos salões aristocráticos. Tais nobres que se aventuravam naquele ambiente bairrista foram traduzindo as melodias da guitarra para as pautas das damas de sociedade, que até ali só investiam nas modinhas. Tal investidura levou a que o fado, ao passar da década de 1880, se tornasse assíduo dos salões.
As guerras civís da metade do século criaram um clima de insegurança que envolveu as vicissitudes a vida parlamentar e política, despertando na voz popular a adesão maior ao fado e ao regozijo que este lhe trazia.
As tabernas, primordialmente, eram palco de encontros de fidalgos, artistas, trabalhadores da hortas, populares e estrangeiros, que se reuniam em noites de fado vadio, ou seja, o fado não profissional.
A primeira cantadeira de fado de que se tem conhecimento foi Maria Severa Onofriana. [1] Cigana e prostituta, de família da mesma estirpe, cantava e tocava guitarra nas ruas da Mouraria, especialmente na Rua do Capelão. Era amante do Conde de Vimioso e o romance entre ambos é tema de vários fados.
Mas é com início do século XX que nasce Ercília Costa, uma fadista quase esquecida pelas vicissitudes do tempo, que foi a primeira fadista com projecção internacional e a primeira a galgar fronteiras de Portugal.
Os temas mais cantados no fado são a saudade, a nostalgia, o ciúme, as pequenas histórias do quotidiano dos bairros típicos e as lides de touros. Eram os temas permitidos pela ditadura de Salazar, que permitia também o fado trágico, de ciúme e paixão resolvidos de forma violenta, com sangue e arrependimento. Letras que falassem de problemas sociais, políticos ou quejandos eram reprimidas pela censura.
Deste fado "clássico" (também conhecido por fado castiço) são expoentes mais recentes Carlos Ramos, Alfredo Marceneiro, Maria Amélia Proença, Berta Cardoso, Maria Teresa de Noronha, Hermínia Silva, Fernando Farinha, Fernando Maurício, Lucília do Carmo, Manuel de Almeida, entre outros.
O fado moderno iniciou-se e teve o seu apogeu com Amália Rodrigues. Foi ela quem popularizou fados com letras de grandes poetas, como Luís de Camões, José Régio, Pedro Homem de Mello, Alexandre O’Neill, David Mourão-Ferreira, José Carlos Ary dos Santos e outros, no que foi seguida por outros fadistas como João Ferreira-Rosa, Teresa Tarouca, Carlos do Carmo, Beatriz da Conceição, Maria da Fé. Também João Braga tem o seu nome na história da renovação do fado, pela qualidade dos poemas que canta e música, dos autores já citados e de Fernando Pessoa, António Botto, Affonso Lopes Vieira, Sophia de Mello Breyner Andresen, Miguel Torga ou Manuel Alegre, e por ter sido o mentor de uma nova geração de fadistas. Acompanhando a preocupação com as letras, foram introduzidas novas formas de acompanhamento e músicas de grandes compositores: com Amália é justo destacar Alain Oulman (um papel determinante na modernização do suporte musical do fado), mas também Frederico de Freitas, Frederico Valério, José Fontes Rocha, Alberto Janes, Carlos Gonçalves.
O fado de Lisboa que é hoje conhecido mundialmente pode ser (e é muitas vezes) acompanhado por violino, violoncelo e até por orquestra, mas não dispensa a sonoridade da guitarra portuguesa, de que houve e ainda há excelentes executantes, como Armandinho, José Nunes, Jaime Santos, Raul Nery, José Fontes Rocha, Carlos Gonçalves, Pedro Caldeira Cabral, José Luís Nobre Costa, Ricardo Parreira, Paulo Parreira ou Ricardo Rocha. Também a viola é indispensável na música fadista e há nomes incontornáveis, como Alfredo Mendes, Martinho d'Assunção, Júlio Gomes, José Inácio, Francisco Perez Andión, o Paquito, Jaime Santos Jr., Carlos Manuel Proença. Obrigatório é mencionar um virtuoso da guitarra clássica que se especializou em viola de Fado, Artur Caldeira, e o expoente máximo da "escola antiga", o viola-baixo de Fado, Joel Pina, o "Professor".
Actualmente, muitos jovens –Raquel Tavares, Helder Moutinho, Maria Ana Bobone, Mariza, Yolanda Soares,Joana Amendoeira, Mafalda Arnauth, Miguel Capucho, Ana Sofia Varela, Marco Oliveira, Katia Guerreiro, Luísa Rocha, Camané, Aldina Duarte,Gonçalo Salgueiro, Diamantina, Ricardo Ribeiro, Cristina Branco – juntaram o seu nome aos dos consagrados ainda vivos e estão dando um fôlego incrível a esta canção urbana.
O fado dito "típico" é hoje em dia cantado principalmente para turistas, nas "casas de fado" e com o acompanhamento tradicional. As melhores casas de fado encontram-se nos bairros típicos de Alfama, Mouraria, Bairro Alto e Madragoa. Mantém as características dos primórdios: o cantar com tristeza e com sentimento mágoas passadas e presentes. Mas também pode contar uma história divertida com ironia ou proporcionar um despique entre dois cantadores, muitas vezes improvisando os versos – então, é a desgarrada.

in... Wikipédia, e Enciclopédia livre

Homem-Macaco

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

U2 - One

No teu meigo olhar


No teu meigo olhar
Terno e sedutor
Eu sinto falar
A voz do amor
Passas risonha
Bem perto de mim
Cheia de vergonha
Não sejas assim
Olha de frente
Onde eu estiver
Tu és sómente
Apenas mulher
Tu tens coração
Tu gostas de amar
Atende a razão
Vem-me abraçar
Corre para mim
Flor encantada
Pois no meu jardim
Foste plantada
Quero-te tanto
Não sei explicar
És o encanto
Que ouso desejar
Tu serás minha
E de mais ninguém
Tu és a rainha
Do amor... meu bem.

José C. Ramalho - Direitos de Autor Reservados / SPA
in... "Metamorfoses da Minha Vida"

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

"Cambão" eleitoral em Beja?


quinta-feira, 29 de outubro de 2009 - 18h06



Francisco Santos falta à tomada de posse de Pulido Valente

O ainda presidente da Câmara de Beja, Francisco Santos, revelou esta quinta-feira, 29, que vai faltar à cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos autárquicos do concelho, agendada para esta sexta-feira, 30, onde o socialista Jorge Pulido Valente assumirá a presidência da autarquia bejense.

Em comunicado, Francisco Santos explica que a sua ausência acontecerá "em protesto pela forma pouco transparente como decorreram as eleições autárquicas de 11 de Outubro de 2009" no nosso concelho.

"Na verdade, o surgimento de um sindicato de voto organizado em torno de dirigentes locais do PSD que conduziram uma campanha para que os seus militantes e simpatizantes votassem não no seu candidato, como seria lógico, mas sim no candidato do PS, condicionou o resultado eleitoral", acrescenta o autarca da CDU, criticando aquilo que compara a uma "prática frequente em países da América Latina e no sul de Itália, conhecida no Brasil como cambão eleitoral”.

Tal prática "pressupõe a evidência de um acordo não declarado, visando a obtenção de benefícios pessoais ou de grupo, representando sempre, uma violação das mais elementares regras democráticas, consubstanciando uma verdadeira fraude eleitoral", conclui o comunicado de Francisco Santos.
in... Correio Alentejo

Amália Hoje - A gaivota

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Andrea Bocelli - Por ti volare

Rasga esses versos que eu te fiz amor


Rasga esses versos que eu te fiz, Amor!
Deita-os ao nada, ao pó ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!


Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada dum momento.
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!...


Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente...


Rasga os meus versos... Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!...


Florbela Espanca, Poetisa Alentejana

Rendo-me aos teus encantos de mulher


Rendo-me aos teus encantos de mulher,
Porque me encantas de forma deliciosa;
Encantado fico com o perfume da rosa,
Que é diferente de outra flor qualquer.


No universo há estrelas tão cintilantes,
Que brilham em todo o seu esplendor;
Que alimentam o ego do poeta, do cantor,
Longínquas mas belas, mesmo distantes.


A natureza é perfeita de cor e harmonia,
Milagre da criação, nasce a poesia,
Na pena do poeta, na tela do pintor…


Mistura divina assim transformada,
Como que por magia dum toque de fada,
Espalhas a luz e o perfume em teu redor.

José C. Ramalho - Direitos de Autor Reservados / SPA

Poema para Florbela - Manuel da Fonseca


Charneca de vida a vida
Tolhida de solidão
névoa da água dos olhos
triste coração pesado
do coro de ganhões perdidos
na sombra que cai do céu.


Ladrões a comerem estradas
entre cavalos da guarda
para a cadeia das vilas
Bebedeira de malteses
desgraçados e terríveis
gritando facas de mola
Caminhos do Alentejo
desde menino vos piso
no meu caminho para Beja


Ó navalhas de malteses!
Coro de ganhões perdidos
Emboscadas de ladrões
Ó urzes, cardos, esteveiras!
Terra bravia de fomes
Caminhos do Alentejo
Deixai me passar em frente!


Que na Torre Alta de Beja
Florbela grita o meu nome
sorrindo para os meus olhos
com os seios tão redondos
como duas rosas cheias!

Rão Kyao - Lisboa

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Vós, ó Franças, Semedos, Quintanilhas


Manuel Maria Barbosa du Bocage, consagrado muito justamente como o maior poeta português depois de Camões, ao ingressar na Nova Arcádia com pseudónimo de Elmano Sadino, depressa se apercebeu da medíocridade dos seus comparsas e puxando da sua veia satirica ironizou os seus talentos poéticos através do magnifico soneto abaixo transcrito. Tal situação originou-lhe o ódio dos visados, que além da expulsão da Nova Arcádia, nunca lhe perdoaram semelhante atrevimento.

*****

Vós, ó Franças, Semedos, Quintanilhas,
Macedos e outras pestes condenadas;
Vós, de cujas buzinas penduradas
Tremem de Jove as melindrosas filhas;

Vós, néscios, que mamais das vis quadrilhas
Do baixo vulgo insossas gargalhadas,
Por versos maus, por trovas aleijadas,
De que engenhais as vossas maravilhas,

Deixai Elmano, que inocente e honrado
Nunca de vós se lembra meditando
Em coisas sérias, de mais alto estado;

E se quereis, os olhos alongando,
Ei-lo! Vede-o no Pindo recostado,
De perna erguida sobre vós mijando!

Bocage

Rastolhice - Dá-me uma pinguinha d´água